"Encolhi as crianças" e outras coisinhas
- Mara Cornelsen
- 19 de mar.
- 2 min de leitura
O título se refere àquela comediazinha americana, de 1989, que já passou dezenas de vezes na TV. Divertida, leve e que conta o desespero de um cientista atrapalhado que durante uma experiência encolhe os dois filhos e dois amigos deles. Todos ficaram do tamanho de insetos e por isso enfrentam uma série de problemas. O final é meio obvio, porém não vou revelá-lo, vai que tem alguém que ainda não viu...
Independente do "spoiler do filme ou não, esta história de encolher "as coisas" tem me incomodado muito. Não só a mim. Creio que milhares de pessoas estão percebendo a diminuição drástica de um monte de produtos, num flagrante golpe da indústria para entregar menos e lucrar o mesmo tanto. E o consumidor, bem... este que se dane!
A observação começou no supermercado ao comprar um pacote de bolacha de chocolate com recheio branco, de marca bem famosinha, que todo mundo gosta - apesar de ser uma bomba calórica. Com o pacotinho na mão estranhei a falta de peso. Estava magrelinho, como se faltasse metade. E faltava mesmo. Das duas fileiras habituais de bolacha, o pacote só continha uma. Era do mesmo tamanho, do mesmo preço, mas com conteúdo escandalosamente menor. Socorro, pensei eu! Cadê a Claudinha Silvano do PROCOM?
E foi então que a coisa degringolou. Olhando para tudo com atenção mais apurada, fui percebendo a vida imitando a arte. Muita, mas muita coisa tinha encolhido. Parecia que aquele cientista maluco do filme tinha passado por ali. Alguns produtos tinham embalagens menores, como a caixa de Bis. Outras embalagens estavam do mesmo tamanho, porém com muito menos conteúdo, como as caixas de bombons de marcas conhecidas.
A situação já estava ruim com esta constatação e ficou pior quando uma amiga querida me ligou, avisando que iria até uma fábrica de papel higiênico e papel toalha, para comprar fardos destes produtos e perguntou se eu também queria. Sim, lógico! Costumamos comprar assim porque sai mais barato. Logo depois ela me mandou mensagem, toda feliz, avisando que o papel higiênico estava alguns reais mais barato que na compra anterior. Um milagre, comemoramos. Só que a alegria durou pouco. Tão logo terminou a compra, me chega outra mensagem: "o preço diminuiu um pouquinho e o papel um montão! O rolo de 40 metros agora só tem 20! Pode isso produção!!!!!
O ápice de indignação com o desrespeito ao consumidor foi revelado pela minha própria mãe, que tem 85 anos e mora no Litoral. Numa das raras vezes em que foi até a beira mar comprou um picolé de limão para se refrescar. E qual foi o seu espanto ao ver que até o picolé tinha encolhido. "Virou uma coisinha de nada. Mal deu para perceber o sabor daquilo. Fui enganada, paguei 12 reais pra chupar um palitinho!!!", desabafou ela, revoltadíssima.
As coisas vão ficando tão difíceis com a ganância dos fabricantes que, as crianças não vão encolher, mas o número delas sim. Muitos casais já optam por não ter filhos e outros tantos preferem um filho só, temendo não dar conta das despesas no futuro. Lamentável!

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